“New Versions of Work”. Em bom português: novas versões de trabalho.
Por: Leonardo Villela
Foi esse o slogan da primeira Orgatec pós-pandemia. A histórica feira de arquitetura corporativa – que acontece a cada dois anos em Colônia, na Alemanha – parecia estar com sede de novidade por conta do hiato de quatro anos. Nós também. Subimos no avião curiosos pra nos antecipar ao que vem por aí: novas soluções para uso dos espaços, além de resultados de previsões que mostrassem como seria o comportamento dos usuários neste momento de investimento no sistema híbrido.
Como expectativa existe para ser quebrada, a nossa também foi. Pelo menos um pouco. Explico: nada do que foi apresentado na feira pode ser considerado como inédito ou original. Mas não vivemos só de lamentação – até porque o caminho até a Alemanha é longo, o euro tá caro e tem que valer o ticket.
Um detalhe que nos chamou atenção foi a onipresença de soluções para “Brainstorming” – a famosa reunião para troca de ideias. Não é necessariamente uma novidade ver essa função em espaços corporativos, mas veio com força na feira – o que nos leva a acreditar que esteja diretamente relacionada a previsão de que os novos escritórios serão, predominantemente, espaços de troca.


Outro ponto bacana, e que talvez possa ser considerada a estrela do evento, foi a acústica. Soluções por toda parte – tanto em estandes específicos (maiores e em quantidades superiores que edições passadas), como em estandes de mobiliário. Baffles, nuvens de infinitas formas, placas de revestimento de paredes, painéis divisores, luminárias (muuuuitas), poltronas e sofás com formas e materiais para esta função, cortinas acústicas (muuuuitas)…



E ainda sobre acústica, os Booths foram outro produto onipresente. Poderíamos batizar esta Orgatec de “feira das cabines telefônicas“. Tinha para todo gosto e necessidade, formas e funções: reuniões formais e informais; abertas ou fechadas; videoconferências; individuais; com mesas de regulagem elétrica de altura; high techs com sensores e controles de temperatura e iluminação; variedades de cores; revestimentos e acabamentos… De fato, um vasto cardápio.



Mas por incrível que pareça, o que mais me chamou atenção em uma feira de mobiliário não foram os móveis. A Sedus, uma das principais fábricas alemãs, apresentou um software de agendamento de mesas e salas que possui sensores como adicional. Permitindo a geração de um mapa de calor de uso desses espaços. Em 2019, presenciei uma palestra da Herman Miller oferecendo esse serviço. Mas, confesso que só agora percebo o quanto esta ferramenta é importante para definirmos melhor o futuro dos escritórios. E passaremos mais rápido por este “período de testes” com o modelo híbrido.
Como sempre conversamos com nossos colegas de profissão e clientes, é comum voltar um pouco frustrado destes eventos internacionais, porque ainda vivemos um delay de presença e aplicação desses produtos em nosso mercado nacional de fabricantes. Veja só o caso das mesas com regulagem elétrica de altura. Em países do norte da Europa, a proporção de venda dessas mesas é de quase 90%. Até porque há legislação que direciona para isso. Na Alemanha é 60%. Na Orgatec de 2016, era a estrela da feira – como ainda hoje é predominante. Mas no Brasil (especificamente no Rio de Janeiro, onde atuamos) ainda não “pegou“.
Fazendo um paralelo com o que foi visto na Orgatec 2022, arrisco dizer que as resoluções de acústica vão seguir pelo mesmo caminho aqui. São poucos fornecedores e custos elevados para implementar, por exemplo, phone booths nos projetos.
Se você chegou até aqui e está com uma sensação pessimista ou negativa, essa não foi a intenção da minha análise. Na verdade, eu quero finalizar com uma mensagem bem positiva. Por mais que não presenciamos, como esperávamos, soluções inéditas e originais, uma visita a uma feira como essa nos inspira de forma impactante a procurar o novo, a dobrar o olhar, desafiar o que ainda não existe. Com criatividade buscamos implementar soluções alinhadas com as tendências internacionais da arquitetura corporativa, unindo com a realidade do nosso mercado local. Para conseguirmos isso, haja inspiração. E isso trouxemos na bagagem. Valeu o ticket!
E olha que nem falei que visitamos dois clientes da indústria de Óleo e Gás em Oslo, na Noruega, e o Vitra Campus na Alemanha… Mas isso é assunto para um café. Me liga aí!
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Mauro Raggi
Como é bom recebermos as tendências e novidades em produtos corporativos, ainda mais com especialistas dessa categoria. Muito obrigado.